E estava eu vendo hoje, 7/1/16, o programa “Mais Você”, com uma bela reportagem sobre as serras capixabas, terra onde encontrei minha mulher Marilza, nascida em Maratayses/ES, e ao final da mesma a Ana Maria Braga, juntamente com a Nádia e o Jimmy (que fizeram a reportagem) e mais um “pomerano” descendente de italiano que mora no município Venda Nova do Imigrante, Espírito Santo, apresentaram os produtos típicos daquela região e terminaram a reportagem fazendo um BRINDE COM CACHAÇA em um COPO DE PLÁSTICO pequeno. Será que podemos brindar com qualquer coisa? Você sabe como e quando fazer um brinde? Você conhece a origem desta tradição milenar?
Entendam que há diversas lendas e versões sobre o nascimento desta confraternização tão gostosa e alegre. Diz-se que teria se originado na Antiguidade, pois os relatos mais antigos de brindes remontam aos gregos e fenícios. Durante os acordos de paz entre povos em guerra, o mediador do acordo deveria se levantar, proclamar sua decisão e tomar o primeiro gole da bebida, normalmente vinho (a mais mística das bebidas, muito apreciada por mim e pelos meus amigos Agrônomos Antônio Costa, Jay Wallace e Ivanildo, entre outros), provando assim que ela não estava ENVENENADA, e que poderia então ser degustada pelos cansados guerreiros.
Mas qual o significado de se tocar (bater) as taças? Bem, historiadores explicam que o brinde selava o fim dos conflitos. O vencedor dava o primeiro gole para provar que não iria envenenar o adversário. Em seguida, batia sua taça na do outro interlocutor. Ao bater um copo no outro, o eventual veneno que poderia estar depositado no fundo das taças se espalharia pela bebida causando a morte certa ao degustador, caso este estivesse blefando. Desta forma, o brinde era PROVA DE HONESTIDADE e, (muito importante!) celebraria tempos de PAZ. Entenderam agora o gesto de tocar as taças?
Agora, nas celebrações - jantares comemorativos ou de homenagem, festas de noivado, etc. - os brindes e discursos são praticamente obrigatórios. O brinde é tradicionalmente erguido com champagne (ou espumante), vinho ou alguma bebida destilada. Por isso não se levanta brinde em um Chá, um tipo de recepção onde sequer é servida bebida alcoólica.
Há também uma escala de precedência para brindes e discursos que seguem o protocolo. Em qualquer recepção, deve falar primeiro o ANFITRIÃO. Após ele, fala o mais importante de seus amigos e só então fala o CONVIDADO DE HONRA, seguido de quem mais queira se manifestar em relação ao homenageado. Se o anfitrião nada diz, depois que os pratos da refeição principal forem removidos (antes do início da sobremesa) qualquer um que deseje pode pedir licença ao anfitrião para solicitar a atenção dos convidados e propor um brinde, ou fazer um discurso.
Brindes devem ser feitos apenas após a chegada dos convidados principais, ou da maioria deles, estando presente o convidado de honra e, evidentemente, o HOMENAGEADO. Uma pequena introdução é feita compreendendo o convite ao brinde, e a referência ao homenageado e ao motivo do brinde.
Aquele que vai brindar FICA DE PÉ e convida os demais convivas a se porem também de pé. Não havendo esse convite - o qual geralmente não é feito nas cerimônias íntimas -, todos os demais podem permanecer sentados e, terminado o discurso do brinde, apenas erguerem a taça antes de beber.
Não é necessário que se toquem as taças em recepções de cerimônia, estas podem ser apenas erguidas até duas vezes consecutivas, a primeira na direção daquele que propõe o brinde significando concordância com a homenagem, e a segunda na direção do homenageado (pode ser mais de um, no caso de noivos), se estiver presente. Mas pode cada convidado tocar a taça do que está à sua direita e à sua esquerda.
A pessoa ou o casal, ou o grupo de pessoas que são homenageados com o brinde não se levantam nem bebem no momento em que os demais bebem em sua honra. Depois de dar tempo a todos que desejarem se manifestar, os homenageados ou um deles falando em nome dos demais pode pôr-se de pé e agradecer com algumas palavras, as manifestações recebidas. Se a homenageada é uma pessoa idosa, basta simplesmente um gesto seu, como inclinar a cabeça em agradecimento ao tempo de cada manifestação, voltando-se na direção de quem a saudou e das pessoas que responderam ao brinde em ambos os extremos da mesa.
E onde entra a China neste brinde? Deixei essa informação para o final. Hoje, com a economia mundial dependente muito da economia chinesa, fazer negócios com os mesmos requer, além de muita paciência, profundos conhecimentos de etiqueta, principalmente durante reuniões e almoços de trabalho.
Uma delas diz respeito ao BRINDE que o chinês sempre fará com o COPO ABAIXO DO COPO DO CONVIDADO. É uma forma de dizer que o CONVIDADO É MAIS IMPORTANTE DO QUE ELE naquela situação. Um sinal de respeito. Mais chique do que isso impossível.
Um brinde a você que prestigia o que escrevo e em especial aos meus amigos agrônomos que reencontrei depois de 36 anos no grupo FCAP: TURMA 1979.
Augusto Cesar tem MBA em Cerimonial, Protocolo e Etiqueta em Eventos Institucionais (www.augustolima.com.br), professor da UEPA para o curso de Secretariado Executivo Trilíngue, Chefe do Cerimonial da UFRA e Mestre de Cerimônias. CV: http://lattes.cnpq.br/4932785716921679.
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