Sou professor do curso de Secretariado Executivo Trilíngue da Universidade do Estado do Pará, e como o nome deixa claro, os alunos saem com habilitacão em três línguas: Português, Espanhol e Inglês. Muitos deles já são formados em alguma delas, inclusive uma de minhas das alunas é professora de Alemão e tem grande experiência internacional participando de intercâmbio.
Ministro palestras e cursos para empresários atuando também como assessor e consultor de eventos para esse nicho de mercado que é o mundo corporativo. Com toda essa participação, passei a ter contato com um mundo que usa uma outra língua e palavras restritas ao ambiente empresarial. Como tenho pouco domínio do inglês, fui atrás do significado das palavras que identificam os principais cargos na hierarquia da empresa e de quebra, descobri a história por trás de alguns cargos. Secretários Executivos, acostumem-se, pois essas palavras farão parte em breve do seu dia a dia.
Você sabe o significado de C.E.O? Ele é o presidente da empresa. Em inglês é uma sigla formada pelas iniciais de CHIEF EXECUTIVE OFFICER. Traduzindo: O PRINCIPAL FUNCIONÁRIO QUE TOMA DECISÕES. Na pronúncia, cada letra é articulada separadamente. Se for usar uma comunicação formal, as letras devem ser separadas com pontos – C.E.O.
Mas, se já usamos a palavra PRESIDENTE para identificar aquele que representa a empresa, por que usar o termo CEO? Resposta: porque IMPRESSIONA e passa a imagem de uma empresa mais globalizada, antenada e moderna. Pelo mesmo motivo, há muito tempo o DIRETOR ADMINISTRATIVO-FINANCEIRO passou a ser chamado de CONTROLLER, e em algumas empresas, de COMPTROLLER. Além do CEO, outra sigla que nasceu no mesmo mundo é o CFO - CHIEF EXECUTIVE OFFICER (o popular Gerente de Compras) e assim por diante.
Penso que breve o encarregado de Serviços Gerais passará a ser chamado de CMBO (CHIEF MOTOBOY OFFICER). E falando nisso, fiquem sabendo que a área de serviços gerais, que se uniu a Organização & Métodos também mudou de nome. Agora ela se chama FACILITIES.
Mas vamos agora ao TREINAMENTO, ACONSELHAMENTO E “MENTOREAMENTO”. Falar desta forma não tem glamour. O chic é usar o inglês que está na moda. Então temos o COACHING, COUNSELLING, MENTORING. Essas palavras são usadas quando nos referimos ao desenvolvimento profissional de um aprendiz ou subordinado, dependendo da situação. É aqui que entra um profissional experiente e capacitado para ORIENTAR, tirar DÚVIDAS e COMPARTILHAR o conhecimento que acumulou.
O MENTOR fica integralmente à disposição de seu orientando. O COACH trabalha menos fazendo algumas reuniões por semana. Já o CONSELHEIRO não tem hora marcada. Entra em ação sempre quando surge a necessidade de aconselhamento. Mas, como gosto muito de história e do significado dos meus “instrumentos” de trabalho, fui pesquisar nas revistas e livros específicos, como surgiu cada um desses termos tão em voga no mundo corporativo.
Começo por MENTOR que é o personagem da Odisséia, obra escrita pelo grego Homero há mais de 2.600 anos. O herói Ulisses, ao embarcar em sua longa viagem deixou a guarda de seus bens e a segurança de sua esposa, Penélope, aos cuidados de seu fiel amigo MENTOR. Assim, MENTOR foi mais um administrador do que um mentor. MENTOR de verdade foi o grego Aristóteles, chamado para educar Alexandre, o Grande, quando ainda era pequeno. O trabalho de Aristóteles é visível não nas batalhas que Alexandre venceu, mas nas coisas que construiu como a maior biblioteca da Antiguidade e o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo.
Já a origem da palavra COACH é mais divertida. Na antiga região da Boêmia, havia uma cidade chamada Koch. Lá, no século XVIII, foi inventada uma carruagem fechada que era puxada por dois cavalos e transportava quatro pessoas. Daí veio o termo COCHE, que em filmes antigos, era a diligência. O condutor, óbvio, era o cocheiro. Ou, em ingles, COACH. Seu trabalho tinha a ver com treinar, cuidar e dirigir com firmeza e precisão os cavalos.
Quase de brincadeira, no século XIX, alunos dos colégios britânicos passaram a chamar seus técnicos de atletismo de COACH, talvez pela maneira “cavalar” como eram tratados (observem que em todos os esportes é assim que é chamado o treinador ou o técnico). O nome pegou. O COACHING, hoje, é o trabalho humanizado do antigo aprendiz. O COACH cria condições para que o aprendiz tome a melhor decisão. Já o COUNSELLOR só recomenda. Ele pode ser visto no filme “O Poderoso Chefão” quando recomendava que mandasse “dar cabo” de algum concorrente. O CONSIGLIERE da família Corleone explica, sugere e expõe os prós e contras da ação a ser tomada. Mas jamais tem a palavra final.
Secretários Executivos, fica claro que o estilo Americano de administração foi muito bem incorporado no mundo corporativo brasileiro, a começar pela nomenclatura. SORRY, de MANAGEMENT.
Augusto Cesar tem MBA em Cerimonial, Protocolo e Etiqueta em Eventos Institucionais (www.augustolima.com.br), professor da UEPA para o curso de Secretariado Executivo Trilíngue, Chefe do Cerimonial da UFRA e Mestre de Cerimônias. CV: http://lattes.cnpq.br/4932785716921679.
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