Recentemente tivemos a visita do Papa Francisco em nosso país e não pude deixar de atentar para os detalhes de cerimonial e protocolo durante os eventos. Para aqueles interessados, deixo abaixo algumas observações e considerações sobre o tema.
LOCUTOR - Nas primeiras cerimônias não existiu a presença do locutor. As pessoas já avisadas pelo CERIMONIÁRIO (clérigo que dirige as cerimônias litúrgicas) do Vaticano iam para o microfone para se pronunciar sem a necessidade de se fazerem anunciar.
PLACA - Eu já fiz algumas cerimônias em que a placa de inauguração não estava no local definitivo, e sim em um cavalete para o ato de descerramento. Na inauguração do Hospital São Francisco, na Tijuca, RJ, a placa de inauguração foi trazida por três religiosas e o Papa benzeu a mesma no próprio local, depois de descerrar o pano.
PRONUNCIAMENTOS - Reza o protocolo da ordem dos pronunciamentos que o mesmo inicia pela pessoa de menor hierarquia e termina com aquele de maior precedência, salvo acordo entre as partes. Na inauguração do Hospital São Francisco, o Arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani falou por primeiro (era a segunda precedência no ato) e depois os demais pronunciamentos correram em ordem decrescente de hierarquia. Somente o Papa discursou na ordem certa. Vejam que as falas foram adaptadas às necessidades de contextualização do evento e claro, foram submetidas ao Cerimoniário do Vaticano e ao próprio Papa, o que eu duvido pelas próprias palavras dele de que “não ouve o que eles dizem”.
BANDEIRAS - E o dispositivo de bandeiras? Já tinha visto o que foi mostrado durante a visita e ressalto aqui para aqueles que trabalham com eventos avaliarem a sugestão que foi mostrada. O que vemos de modo geral é o dispositivo conter somente uma bandeira representativa de cada instituição e nos eventos em que usamos somente duas bandeiras, se o palco tiver uma largura considerável, as mesmas tem pouca visibilidade e podem ficar perdidas na ambientação. No caso das cerimônias no Rio de Janeiro com o Papa, foi usado um dispositivo com seis bandeiras, três do Brasil e três do Vaticano intercaladas, iniciando pela direita com a Bandeira Nacional e terminando com a bandeira do Vaticano mantendo assim a ordem de precedência para número par, que diz que a bandeira mais importante fica ao centro ou à direita deste e a segunda à esquerda. Observem na foto que ficou uma bela imagem.
ORATÓRIA - Quanto à oratória, os discursos do Papa foram direcionados aos objetivos de cada evento e do publico. Curto e objetivo ao contrario das demais autoridades públicas que se alongaram e fugiram da temática. Deu gosto e muito interesse escutar cada palavra de Sua Santidade.
PROTOCOLO - “O Papa quebra o protocolo”. Quantas vezes isso foi falado durante a visita. Lembro que só quebra o protocolo aquele que tem a maior hierarquia, que tem o poder da mesma em suas mãos. Quem quebra assume o ônus e o bônus desta quebra. Penso que o Papa quebrou o protocolo não para aparecer e sim por que ele é assim mesmo. Vi também que o principal segurança da guarda Suíça do Papa atuava também para quebrar o protocolo de acordo com o jeito do Papa. Ele interpretava o desejo e o jeito de ser de Sua Santidade.
Resumindo: EVENTO É BOM SENSO
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